domingo, 29 de novembro de 2009

Bienvenue Beaujolais Nouveau 2009 !

"Ou se ama, ou se odeia!" Talvêz esta seja a característica marcante deste polêmico vinho.
Talvêz seja esta uma estratégia de marketing associada ao grande espetáculo que é a distribuição mundial deste vinho no Beaujolais Day.
O fato é que, este ano ele está deliciosamente especial. A informação que me foi passada pela importadora é que a produção desta safra foi menor, o que elevou a qualidade do produto.
Uma explosão de aromas frutados como cerejas e maçãs saltam na taça como pipocas no fogo. Um sabor marcante de frutas vermelhas nos fazem pensar que estamos em um pomar de morangos cobertos ainda com o orvalho do amanhecer de tão refrescante. Um vinho para ser bebido rápido, pois, ao contrário de outros, ele não evolue na taça, chegando até a dar a impressão de uma leve oxidação com 30 minutos depois de aberto.
Para quem gosta, é um vinho marcante, diferente e que vale a pena esperar todo final de ano para degustá-lo. Comparações a parte, mas parece com a expectativa anual do show do Roberto Carlos!
Importadora: Mistral (R$83,00). Nota: 89pts

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Curso de vinhos Rosés - Casa do Porto

Dando continuação aos cursos mensais da Casa do Porto o Somellier Gustavo Giacchero nos brindou ontem (dia 24/11) com mais uma das suas deliciosas degustações, desta vez foram os refrescantes Rosés.
Inicialmente degustamos três exemplares assim descritos:
1) Allegro Rosé 2007 (Chile - Maipo): Cabernet Sauvignon com Carmenere. Aromas de morango e cerejas bem evidentes. Na boca um vinho bem equilibrado, com boa acidez e um corpo bem estruturado. Nota: 85pts.
2) Chateau Le Grand Verdus 200
7 (França): Cabernet Sauvignon com Merlot. Aromas mais adocicados, lembrando figos e tuti-fruti. Na boca mostrou-se bem mais ácido (chegando a incomodar um pouco) e menos estruturado. Comparado aos outros da noite deixou bem a desejar. Nota: 83pts.
3)J. Bouchon 2007 (Chile - Maule): 100% cabernet Sauvugnon. Na minha opinião foi um dos pontos altos da noite. Aromas refrescantes de cerejas, um leve aroma de defumados mesclados com frutas mais maduras. Um vinho com uma estrutura muito bem equilibrada e ótima persistência. Nota: 87pts.
Depois passamos aos espumantes. Neste momento fizemos a degustação às cegas e tivemos uma grata surpresa no final. Foram degustados três marcas diferentes, um italiano e dois nacionais. Por unanimidade elegemos um dos nacionais como o melhor entre os três, Cave Amadeu Brut (Pinot Noir, produtor Mario Geisse). Suas perlagens e sua musse estavam indiscutivelmente bem superiores aos outros dois. Foi o mais equilibrado, com aromas de compotas de morango e cerejas, com bom corpo e persistência.
O segundo melhor foi o outro espumante nacional, curiosamente do mesmo produtor do Amadeu, o Cave Geisse Brut Rosè (Pinot Noir). Um vinho também muito bem estruturado , mais encorpado, porém ficou devendo na presistência da sua perlagem.
Por último ficou o Prosecco Italiano Mompellium (Prosecco com cabernet sauvignon). Mais leve e com pouca perlagem. Se não estivesse sendo comparado aos outros dois eu diria que é um bom espumante (já fiz um outro comentário dele aqui neste blog).
Foi uma noite muito agradável, discutimos vários pontos em relação a produção e harmonização dos rosès. Apenas sentí falta do Vila Franchionni Rosè, mas segundo o Gustavo ele está em falta no mercado.

sábado, 21 de novembro de 2009

Tiento Monte Carmenere reserva - 2007


Um vinho daqueles que "valem o quanto pesam". 100% Carmenere, cor púrpura profunda e brilhante. Aroma envolvente de frutas vermelhas com as típicas notas de pimenta, chocolate e defumados do carmenere. Vinho muito bem equilibrado. Produzido no Vale do Curicó - Chile. Preço: 16,00 (meia garrafa) no Verdemar. Nota: 87pts

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Grécia II

Como nossa primeira experiência com vinhos gregos foi muito satisfatória, resolvemos fazer uma segunda rodada, agora com outros dois exemplares diferentes, porém da mesma vinícola.
Iniciamos com o Retsina - Attikis - 2004. Um vinho realmente diferente, muito refrescante, ideal para o verão que está vindo por aí. Coloração palha mais amarelada, pouco denso, aromas florais e cítricos. Achei nele um aroma diferente, de "esparadrapo", talvez pela resina que vai na composição deste vinho. Também um pouco de erva doce. Um vinho simples, fácil de beber, com um bom custo
benefício. R$20,00 no Verdemar. Nota 84pts.
A seguir
experimentamos o Metoxi Chromitisa - 2004 (Cabernet Sauvignon - Linimio). Um vinho mais robusto, com uma personalidade bem marcante. Cor púrpura intensa e taninos mais rudes e acentuados, a exemplo do outro tinto que tomamos, um vinho um pouco mais envelhecido mas com algumas características de vinho mais jovem. Aromas de frutas vermelhas maduras, café, baunilha e, eu senti bem evidente, o aroma de cavalo ou estábulo. Na boca ele foi melhor quando harmonizado com um ravioli de cordeiro. Quando degustado sozinho os taninos acentuados incomodaram um pouco. Achei que, pelo preço, ficou devendo um pouco. R$60,00 no Verdemar. Nota: 87pts.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

"Depilação Masculina"

Como o nome deste blog é vinho com prosa e este texto que vou relatar foi lido enquanto tomávamos um Riesling da Alsacia, vou relatar aqui algo hilariante que ocasionou bons momentos de risadas, principalmente após algumas taças de vinho. Leiam imaginando a situação descrita.

Depilação Masculina
(Autor desconhecido)

"Estava eu assistindo tv numa tarde de domingo, naquele horário que não se pode inventar nada o que fazer, pois no outro dia é segunda-feira, quando minha esposa deitou ao meu lado e ficou brincando com minhas "partes" íntimas.
Após alguns minutos ela veio com a seguinte ideia. Por que não depilamos os seus ovinhos, assim eu poderia fazer "outras coisas" com eles.
Aquela frase foi igual a sino na minha cabeça. Por alguns minutos fiquei imaginando o que seriam "outras coisas".
Respondi que não, que doeria coisa e tal, mas ela veio com argumentos sobre as novas técnicas de depilação e eu imaginando as "outras coisas".
Concordei.
Ela me pediu que ficasse pelado enquanto buscaria os equipamentos necessários para tal feito.
Fiquei olhando para TV, porém minha mente estava vagando pelas novas sensações que só acordei quando escutei o beep do microondas.
Ela voltou ao quarto com um pote de cera, uma espátula e alguns pedaços de plásticos. Achei meio estranho aqueles equipamentos, mas ela estava com ar de "dona da situação" que deixaria qualquer médico urologista sentindo-se como residente.
Fiquei tranquilo e autorizei o restante do processo.
Pediu que eu ficasse numa posição de quase frango assado e liberasse o acesso a zona do agrião.
Pegou meus ovinhos como quem pega duas bolinhas de porcelana e achei aquela sensação maravilhosa.
O Sr. Pinto já estava todo "pinpão" como quem diz: "sou o próximo da fila!".
Pelo início fiquei imaginado quais seriam as "outras coisas" que viriam.
Após estarem completamente besuntados de cera, ela embrulhou ambos num plástico com tanto cuidado que eu achei que iria levá-los para viagem.
Fiquei imaginando onde ela teria aprendido essa técnica de prazer. Na Thailándia, na China ou pela internet mesmo.
Porém, alguns segundos depois ela esticou o saquinho para o lado e deu um puxão repentino.
Todas as novas sensações foram trocadas por um sonoro PUUUUTA QUEEEE O PARIUUUUU quase falado letra por letra.
Olhei para o plástico para ver se o couro do meu saco não tinha ficado grudado.
Ela disse que ainda restaram alguns pelinhos e que precisava passar de novo.
Respondi prontamente: Se depender de mim eles vão ficar aí para a eternidade!
Segurei o Dr. Esquerdo e o Dr. Direito em minhas respectivas mãos, como quem segura os últimos ovos da mais bela ave amazônica em extinção, e fui para o banheiro.
Sentia o coração bater nos ovos.
Abri o chuveiro e foi a primeira vez que eu molhei o saco antes de molhar a cabeça.
Passei alguns minutos só deixando a água gelada escorrer pelo meu corpo.
Saí do banho, mas nesses momentos de dor qualquer homem vira um bebezinho novo, faz merda atraz de merda.
Peguei o meu gel após barba com camomila "que acalma a pele", enchi as mãos e passei nos ovos.
Foi como se tivesse passado molho de pimenta!
Sentei no bidé na posição de "lava a checa" e deixei o chuverinho acalmar os dois. Peguei a toalha de rosto e fiquei abanando os ovos como quem abana um boxeador no 10º round.
Olhei para o meu pinto. Ele tão alegrinho minutos atrás, estava tão pequeno que mais parecia irmão gêmeo do meu umbigo.
Nesse momento minha esposa bate na porta do banheiro e pergunta se eu estava passando bem.
Aquela voz antes tão aveludada e sedutora ficou igual a uma gralha.
Saí do banheiro e voltei para o quarto.
Ela estava argumentando que os pentelhos tinham saído pelas raízes, que domoraríam a voltar a nascer.
Pela espessura da pele do meu saco, aqui não nasce nem penugem, meus ovos vão ficar que nem os das codornas, respondi.
Ela pediu para olhar como estavam.
Eu falei para olhar com meio metro de distância e sem tocar em nada, e se ficar rindo, vai entrar na PORRADA!
Vesti a camiseta e fui dormir (somente de camiseta).
Naquele momento sexo para mim nem para perpetuar a espécie humana.
No outro dia pela manhã fui me arrumar para ir trabalhar.
Os ovos estavam mais calmos, porém mais vermelhos que tomates maduros.
Foi estranho sentir o vento bater nos lugares nunca antes visitados.
Tentei colocar a cueca, mas nada feito.
Procurei alguma cueca de veludo e nada.
Vesti a calça mais folgada que achei no armário e fui trabalhar sem cueca mesmo.
Entrei na minha sessão igual a um cowboy cagado!
Falei bom dia para todos, mas sem olhar nos olhos.
E passei o dia inteiro trabalhando em pé com receio de encostar os tomates maduros em qualquer superfície.
Resultado, certas coisas devem ser feitos somente pelas mulheres.
Não adianta tentar misturar os universos masculino e feminino.

domingo, 25 de outubro de 2009

Uma introdução à Grécia em grande estilo

Estou sempre procurando experimentar vinhos diferentes e de lugares diferentes. Quando não conheço, ou quando não tive nenhuma indicação específica, procuro iniciar por exemplares com preços não muito caros, caso não haja satisfação, pelo menos o gasto não foi alto. Por este motivo, já tive a oportunidade de tomar vinhos de qualidade questionável na ânsia de conhecer novos terroirs. Certamente não foi esse o caso da Grécia. Não tínhamos nenhuma indicação ou referência. As uvas mais comuns da Grécia são praticamente desconhecidas para nós. Baseando-se então no custo, pedimos uma referência ao vendedor que nos indicou um branco e um tinto do mesmo produtor e, segundo ele, vinhos de boa qualidade.
São eles:

Branco:
Nome: Kali Gi
Produtor: Evangelos Tsantalis
Região: Chalkidiki
Uvas: Asyrtiko e Athiri
Safra: 2007
Tinto:
Nome: Nemea Reserve
Produtor: Evangelos Tsantalis
Região: Chalkidiki
Uva: Agiorgitiko
Safra: 2004
Que grata surpresa!!! O branco é um vinho de coloração palha brilhante, aromas suaves e delicados de maçã verde e pera. Na boca outra surpresa - Amêndoas, além de maçã verde, pera e lichia. Cheguei a comentar que me lembrou um Frangélico. Bem suave porém com uma refrescância marcante. Custo: R$27,00 (no Verdemar). Nota: 86pts.
O tinto também nos reservou surpresas. Apesar de uma boa evolução na garrafa (safra 2004), este vinho apresentou características de vinho jovem, porém com um bom corpo e taninos macios. Uma coloração rubí intensa (quase lembrando um jovem beaujolais), aromas de frutas negras maduras e uma madeira bem equilibrada (características de vinhos mais velhos). No início o final de boca não estava muito agradável, mas com cerca de 40 minutos no decanter ele abriu de forma sensacional revelando toda a robustês deste vinho. Custo: R$35,00 (no Verdemar). Nota: 88pts.
Dois exemplares de excelente custo/benefíco e uma boa opção para quem quer conhecer um pouco deste fantástico país.
Para acompanhar, o branco harmonizou muito bem com um gruyere. Já o tinto acho que merecia uma carne vermelha ou talvês uma massa mais condimentada mas, como nós não planejamos a harmonização, fizemos champignons frescos com molho de creme de leite e alho servidos com pão francês que harmonizou relativamente bem com este vinho.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Casa Valduga Elegance 2008 - demisec

Geralmente as mulheres preferem vinhos um pouco mais adocicados. Este espumante da Casa Vaduga foi feito pensando "nelas". Um vinho que faz jus ao nome, "Elegance", com uma perlagem intensa, cor palha dourada, aromas de abacaxí, pêra e cítricos bem equilibrados com um leve sabor adocicado do demi-sec, porém sem exageros. Tudo isso com um custo bem convidativo, R$27,00 na Decanter.
Harmonizou muito bem com um brie que, diga-se de passagem, sem querer fazer fazer propaganda, até porque não ganho nada com isso, é um dos melhores Brie que eu já comí, da marca Cruzília. Ele tem uma casquinha crocante por fora e um recheio bem cremoso por dentro, chega a escorrer quando se corta.
Nota do vinho: 84pts. Nota do Brie: 90pts

Ventoleira - Sauvignon Blanc 2006

Um vinho com muita personalidade. Leve e refrescante, mas sem perder a elegância. Aromas cítricos e florais bem equilibrados com um leve toque de madeira bem discreto. Na boca é deslumbrante, harmonizou muito bem com queijo de cabra e mortadela italiana. Apesar do preço não ser muito convidativo, certamente vale a pena pela excelente qualidade deste Sauvignon Blanc chileno do Leyda Valey. Encontrado na Casa do Porto. Nota: 90pts

sábado, 3 de outubro de 2009

Uma volta ao mundo em quatro vinhos!

Ontem à noite, como de costume, fizemos uma reunião aqui em casa com meu grande amigo e enófilo Ricardo Guerra. O que era para ser apenas um encontro para tomarmos "um vinhozinho", acabou se tornando uma grande noite com uma verdadeira "volta ao mundo enológica"!!!
Iniciamos com um Procceco Italiano Monpellium - Cabernet Sauvignon extra dry, já descrito neste blog anteriormente, iniciamos em grande estilo.

Depois tomamos um rosê francês de syrah - Les Bateaux (Languedoc) 2007. Um vinho de excelente custo/benefício, com um corpo muito bom para um rosê, aromas de cereja intenso e amoras, presentes de forma muito agradável também no seu sabor. Nota: 88pts



Continuamos a viagem saíndo da europa e pousando na Africa do Sul, com um Assemblage de Syrah com Pinotage 2006 - Arniston Bay. Um vinho diferente. Encorpado, sabor marcante. Não sei se neste momento nosso teor alcólico já não era dos menores, mas o Ricardo conseguiu encontrar um sabor de "Hipoglós"!!!! O pior é que eu concordei!!!rsrsrs. Considerando este aspecto um tanto quanto, digamos, diferente, achei que este vinho não foi assim tão surpreendente quanto os dois iniciais. Nota: 82pts.

Terminamos nosma volta ao mundo de forma glamurosa. Kilikanoon Shiraz 2005 - South Australia. Que vinho fantástico!!. Um equilíbrio deslumbrante entre madeira, frutas vermelhas e maduras, taninos macios e aveludados, persistência, enfim, certamente um dos melhores vinhos que eu já tomei. O preço não é dos melhores mas também nada estratosférico. Nota: 94pts
"Este é o cara, quero dizer, o vinho...!!!!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

VI Edição do Concurso de Espumantes Brasileiros

Revista Adega - Setembro 2009 (resumo)

Aconteceu em agosto na cidade de Garibaldi o VI Concurso Brasileiro de Espumantes - uma competição a cada edição mais acirrada pela qualidade dos participantes, vindos de 66 vinícolas de todo o Brasil.
O concurso, promovido nos anos ímpares pela ABE (Associação Brasileira de Enologia), reuniu 65 degustadores, divididos em dois dias de provas - em que 205 amostras de espumantes passaram pela avaliação de enólogos, enófilos e jornalistas especializados.
Com vendas em bom rítimo no mercado interno e externo, a produção de espumantes se esmera em cuidados para continuar competindo com as novas marcas que surgem nas mais variadas regiões do país; fato comprovado durante o concurso.
O pódio final revelou uma grande medalha de ouro para o espumante que conseguiu dos jurados mais de 94 pontos - entre os 100 possíveis. Coube à tradicional vinícola Dal Pizzol (Bento Gonçalves) o lugar mais alto com o seu espumante "Do Lugar Brut Charmat", além de mais duas medalhas de ouro para os espumentes "Dal Pizzol Brut" e "Do Lugar Moscatel".
Ao todo foram premiados com a medalha de ouro 48 marcas (obtiveram notas acima de 88 pontos) e 13 com medalha de prata (notas entre 84 e 87 pontos).
O espumante "Do Lugar Brut Charmat" (R$32,00) combina as uvas Pinot Noir e Chardonnay da serra gaúcha, com aromas delicados de abacaxí, pêssego e floral. Uma boa perlagem, com uma cor amarelo pálido e boa permanência.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Merlot

Muitas vezes confundida com a Cabernet Sauvignon, a uva merlot (que significa "pequeno melro") tem como produtora mais famosa a região de Bordeaux na França, principalmente as áreas de Pomerol (cujo principal representante é o Chateau Petrus - o mais famoso merlot do mundo) e St. Emilion. Na grande maioria dos vinhos de Bordeax a uva Merlot é associada à Cabernet Sauvignon e à Cabernet Franc (chamado corte bordalês clássico), mas também podemos encontrar outras associações como por exemplo a Malbec.
No novo mundo as principais regiões produtoras estão nos Estados Unidos, particularmente na Califórnia e Washington. O Chile e o Brasil também são regiões onde a produção de Merlot está em franca ascensão.
Seus aromas e sabores passam pelas frutas vermelhas maduras (amoras e ameixas pretas), cassis, chocolate, café e, as vezes, couro. É um vinho macio com acidêz e taninos bem equilibrados.
Os vinhos de Merlot, na maioria, devem ser bebidos jovens, porém os grandes Pomerol ganham complexidade com o tempo.
Harmonizam muito bem com carnes grelhadas, em especial o cordeiro. Também com queijos de massa amarela e mais condimentados.
Com raras excessões, é um vinho que deve sempre ser bebido acompanhado de uma boa harmonização, não é um vinho para se tomar sozinho.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Degustação as cegas de Merlot com cordeiro

Ontem realizei um desejo que a muito tempo vinha imaginando fazer, uma "degustação às cegas". Escolhemos uma determinada uva, que no caso foi a Merlot e harmonizamos com um pernil de Cordeiro com ervas e molho também a base de vinho merlot. Escolhemos os vinhos seguindo os seguintes critérios:
-Vari
etais 100% merlot.
- Se possível, o mais semelhante possível em termos de envelhecimento em barris e safras não muito distantes uma das outras.
-Três terroirs diferentes.

Os vinhos escolhidos foram:
1) Chateau Bardineau 2004, França. Um bordeaux varietal de Merlot (não c
onseguimos identificar ao certo quanto tampo de envelhecimento em barricas)
2) Salton Talento 2006, Brasil. Varietal de Merlot (12 meses de envelhecimento em barricas)
3) Santa Ema 2007, Chile. Também 100% Merlot (6 meses de envelhecimento em Barricas)

O Cordeiro foi marinado por 4 horas com vinho Merlot, alecrim, mangericão, salsinha e tempero de alho e sal. Acompanhado de arroz branco e cebolas caramelizadas ao molho merlot.
Num total de seis pessoas, foi feito inicialmente uma degustação sem harmonização para identificarmos os aromas, sabores e procedência dos vinhos, lembrando que nenhum dos participantes sabiam qual vinho estavam tomando. Foi dado um nota a cada um deles (entre 80 e 100). Depois foi servido o prato e então perguntado qual deles harmonizava melhor com o prato servido.

A experiência foi sensacional. Eu, particularmente, sempre quiz fazer uma degustação às cegas incluindo um vinho Brasileiro e outro Francês. O propósito seria quebrar alguns mitos e preconceitos, ou talvêz até acentuá-los.

O vinho que recebeu maior pontuação foi o Salton Talento (Brasil), quatro pontos a frente do Chileno e vinte e um pontos a frente do Francês.

No quesito harmonização houve um empate entre os três vinhos ( 2 votos para cada).

Descrevo agora a minha avaliação dos vinhos:

Chateau Bardineau 2004 - Apenas cinco anos de garrafa mas já com coloração mais atijolada, o que me causou já uma certa surpresa, pois cinco anos é um tempo curto para um envelhecimento tão acentuado. Pouco aromático, com tons leves de café, baunilha e madeira. Pouco encorpado. Na minha avaliação um vinho sem brilho. Nota: 82 pts.

Salton Talento 2006 - Um vinho completamente diferente do primeiro. Uma cor vermelho rubí vibrante, aromas de baunilha, café, frutas vermelhas e ameixa. A medeira esta um pouco acentuada (12 meses). Na boca um equilíbrio marcante entre o sabor das frutas e a madeira. Um vinho mais encorpado, taninos presentes e aveludados. Evolução muito boa na garrafa, provavelmente estando no seu melhor momento. Como a maioria dos vinhos nacionais de qualidade perca no quesito preço. Nota: 89 pts.

Santa Ema 2007 - Certamente um vinho ainda jovem e que prescisa de uma evolução de alguns anos na garrafa. Aromas marcantes de madeira e frutas vermelhas maduras. Taninos ainda rudes e com uma acidês que incomodava um pouco (vinho jovem ainda). Apesar disso, na minha opinião, foi o que hormonizou melhor com o cordeiro. Nota: 88 pts.

O cordeiro foi muito elogiado e realmente focou muito bom, de sabor suave e conscistência bem macia. Segue a receita:

Para 6 pessoas
-2 unidades pequenas de pernil de cordeiro que foram desossadas depois de descongeladas
-1 xícara de vinho Merlot
-alecrim
-mangericão
-salsinha seca
-pimenta do reino moída na hora
-tempero de alho e sal
Misturar todos os temperos e fazer uma marinada com a carne. Deixar na geladeira por 4 horas. Cobrir com papel alumínio e colocar para assar por 2 horas, retirando o papel alumínio nos últimos 30 minutos para secar o molho. Durante o cozimento regue a carne com o molho.
Cebolas caramelizadas:
-O quanto baste de cebolas cortadas em rodelas
-manteiga
-3 a 4 colheres de açúcar
-1 xícara de vinho merlot
Em uma panela derreta a manteiga e coloque a cebola. Quando ela estiver macia coloque o vinho e o açúcar e deixe cozinhar até que a cebola adquira a cor do molho e ele engrosse levemente.

Na minha avaliação o melhor vinho foi o nacional, quebrando um certo preconceito que eu tinha sobre vinhos brasileiros. Já em relação ao vinhos franceses, que me desculpem os experts em vinhos e apaixonados pelos franceses, mas eu ainda não conseguí tomar um vinho francês que realmente me encantasse, como muitos chilenos, californianos, potugueses, australianos, etc...
A experiência de se degustar as cegas é extremamente didática e certamente repetiremos mais vezes.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Anakena - Pinot Noir - 2007

Um vinho bastante interessante no quesito custo/benefício. O Anakena Single Vineyard 2007 é produzido no Vale do Rapel no Chile, constituído 100% da uva Pinot Noir e envelhecido 6 meses em barricas de carvalho francesas, apresenta uma cor rubí muito bonita e peculiar. Seus aromas passam pelas frutas vermelhas frescas (cerejas e amoras) e tons florais leves, tudo envolvido num delicado toque amadeirado. Um vinho de corpo médio e sabor amplo e equilibrado. Taninos bem suaves porém sem deixar perder uma certa robustês no paladar, talvêz mais por conta do alcool que apresentou-se um pouco elevado na boca. Harmonizou muito bem com um queijo Brie.
Nota: 88pts Custo: R$45,00

domingo, 30 de agosto de 2009

Vin D´alsace - Gewrztraminer 2007

Que vinho fantástico!!!Sempre ouví falar que a região francesa da Alsacia produz um dos melhores vinhos brancos do mundo. Certamente não é exagero. Um vinho amarelo ouro brilhante e envolvente. Os aromas florais, maracujá e maçã verde induzem nossa imaginação a uma resfrescante viagem aos alpes franceses. Tudo com uma acidês equilibradíssima. Olha que este é um exemplar de menor custo que eu achei no mercado. Algo em torno de R$45,00. Nota:91pts.
Sua harminização também foi perfeita. Iniciamos com pernas de centolha argentina regada ao molho de manteiga derretida que ficou maravilhoso. Depois derretemos um Brie francês em uma panela de fondue em fogo brando e associamos uma geléia de damasco, servido em fatias de pão. O resultado foi algo indescritível. O casamento perfeito! Com certeza repetirei esta experiência outras vezes.
A Alsácia é uma das raras regiões vinícolas do mundo dedicadas quase que exclusivamente aos vinhos brancos. Embora por lei a Alsácia seja uma região vinícola francesa, durante vários períodos do passado pertenceu à Alemanha. Também é uma região vinícola tão encantadora que poderia ter surgido diretamente de um conto de fadas. Os vinhedos são banhados pelo sol. e as casas parcialmente construídas em madeira, são alegremente adornadas com canteiros de flores, tendo como pano de fundo os Montes Vosges. As uvas mais importantes são: rieling, gerwustraminer, pinot gris, muscat e pinot blanc. Por lei, todos os vinhos da Alsácia devem ser engarrafados em garrafas compridas e afuniladas chamadas de "flutes d´alsace".

sábado, 29 de agosto de 2009

Luigi Bosca La Linda - Tempranillo 2006

Um vinho robusto, com um bom corpo, aroma de frutas negras maduras e baunilha. Uma madeira bem leve decorrente de 6 meses em barricas americanas. Os taninos incomodaram um pouco, apesar de não ser característico da uva tempranillo apresentar taninos rudes. É um bom vinho com um costo/benifício bom. Nota: 85 pts.
A Tempranillo constitue a cepa chefe da maioria dos vinhos tintos espanhóis importantes, inclusive o Rioja, o Ribeira Del Duero e os bons crus da Catalunha. Ao longo de toda península ibérica ela tem diversos nomes, entre eles Tinta Roriz em Portugal. O Rioja é o mais conhecido dos vinhos à base de Tempranillo. Nele a cepa não é utilizada sozinha, mas nos melhores vinhos de Rioja ela é frequentemente majoritária. Desenvolve-se particularmente bem nas regiões de pluviosidade moderada de Rioja Alta e Rioja Alavesa, e sua maturação precoce convém às zonas de altitude de Rioja e Ribeira Del Duero, que apresentam clima fresco e solos calcários.
A Tempranillo continua sendo fundamentalmente espanhola, e em outras partes do mundo só existe em quantidades limitadas. Além de Portugal, o único país a cultivar áreas importantes dela é a Argentina.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Vinhos Carmenère Chileno ganham destaque em evento

Notícia veiculada no Portal Terra (em 28/08/2009)
por Carlos Alberto Barbosa


Anualmente a Pro Chile, agência que promove exportações chilenas no mundo, realiza no Brasil uma série de ações que buscam dar visibilidade aos negócios internacionais envolvendo os dois países. Não é a toa que faz parte das ações um evento de degustações de vinhos que percorre, anualmente, mais de uma capital brasileira. Em São Paulo, por exemplo, na última quarta-feira, dezenas de produtores chilenos, com ou sem importadores no Brasil, ofereceram ao público especializado, degustações de diversos rótulos, entre eles, foi possível provar uma grande diversidade de exemplares elaborados a partir da Carmenère. Desde cortes até vinhos produzidos exclusivamente com ela em diferentes faixas de preços. A uva passa do anonimato para embaixadora do vinho chileno no mundo.
Entre os vinhos chilenos disponíveis, os da uva Carmenère tornaram-se emblemáticos. Tornou-se rapidamente a uva símbolo do Chile, apesar do seu cultivo ser ainda um tanto modesto no país quando comparado a outras castas tintas. A Carmenère ocupa hoje uma área cultivada de aproximadamente sete mil hectares, anquanto Cabernet Sauvignon tem 40 mil e o Merlot, 13 mil hectares.
Sua fama não se deve ao tamanho da áreas cultivadas, mas sim à própria peculiaridade de sua existência. Dada como casta em extinção, após a disseminação da filoxera, praga que dizimou vinhedios na Europa no século XIX, a Carmenère foi redescoberta no Chile em meados do anos 90, quando o pesquisador francês Jean-Michel Boursiquot a identificou, diferenciando de variantes da uva Merlot, no caso a Merlot Chileno. Essa identificação, conforme escreveu Antony Rose em artigo para a revista britânica Decanter, gerou, inicialmente, certo temor em declarar no rótulo que o vinho era elaborado com uvas Carmenére, principalmente após tantos anos com rótulos com o nome Merlot encobrindo a nova casta identificada. Em 1996 a Viña De Martino lançou o primeiro rótulo de varietal Carmenère, o Santa Ines Carmenère. Daí em diante foi caminho sem volta. Em 1998, a Carmenère foi oficialmente reconhecida pelas autoridades chilenas, e em 1999 os vinhos da casta já eram exportados para a Europa.
Os vinhedos de Carmenère passam então a receber os cuidados e aprimoramentos técnicos das demais castas já consagradas, resultando em vinhos de qualidade. Ao sair do papel de coadjuvante na elaboração de cortes de muitos dos grandes vinhos para assumir um papel solo, a uva também ganhou status de representante dos vinhos do Chile.

Negócios

O Chile é hoje o principal fornecedor de vinhos importados para o mercado brasileiro. Em 2008, segundo dados do Instituto Brasileiro do Vinho (IMBRAVIN), o Brasil importou perto de 58 milhões de litros de vinho, dos quais 19 milhões eram chilenos. Esses números colocam o Brasil como quarto principal destino do vinho chileno no mundo em volume de exportação.
Segundo Ricardo Moyano Monreal, diretor comercial da Embaixada do Chile no Brasil, o Brasil é o terceiro parceiro comercial do Chile, e o Chile é o sétimo do Brasil. É bem verdade que boa parte delas passa pela mineração, mas o vinho não fica atrás.
Embora o país esteja entre os dez produtores mundiais de vinho, a bebida, segundo relatórios do Pro-Chile, ocupa algo como a vigêsima posição no ranking de produtos de exportação do país. Mas então, porque trabalhar o vinho em eventos de promoção das exportações chilenas?
Eu arriscaria dizer que além dos interesses comerciais é também uma questão de imagem. Caso pergunte a um brasileiro que transite entre as prateleiras de um supermercado sobre o que lhe vem à mente quando se mensiona o nome do país andino, quase certo que a sua resposta será vinho, e não cobre. Ou seja, mesmo sendo o cobre uma importante fonte de receita para o Chile, sua marca na memória do brasileiro comum é o vinho.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Curso de Vinhos Assemblage


Aconteceu ontem na Casa do Porto o último capítulo do Curso sobre vinhos Chilenos com o tema "Vinhos de corte são mais divertidos! ". administrado pelo somelier Ariel.
O termo Assemblage proveniente da lingua francesa, não tem uma tradução exata no português, mas pode ser defido como uma "mistura", a arte de combinar sabores, aromas e complexidade com a finalidade de assegurar a constância da qualidade de um vinho. Muitas vezes pode ser feito a mistura de vinhos, de uvas, de uvas cultivadas em solos e climas diferentes e até de safras diferentes.
Alguns questionamentos foram feitos durante a aula que acho interessante discutí-los um pouco mais.
- O enólogo que produz vinhos assemblage tem toda a liberdade de literalmente "brincar" com com a composição do vinho que produz, isso não poderia, de certa forma, mascarar certos erros de produção ou imperfeições de safras que tornariam este vinho de qualidade inferior?
-Qual vinho traduz, ou expressa melhor toda a qualidade do terroir em que foi produzido, o varietal ou o assemblage?
São questões muitas vezes polêmicas e de difícil resposta. Na minha humilde opnião o vinho varietal expressa melhor a qualidade do terroir por ter tido menor influência do enólogo na sua produção. No assemblage, como dito acima, o enólogo pode fazer correções de acordo com as necessidades, ou seja, se determidada uva presente na composição de um vinho não teve as condições ideais na sua safra, o enólogo aumenta, diminue ou acrescenta outras uvas no intúito de minimizar os efeitos daquela que não teve uma safra ideal. Como o vinho varietal tem que ter uma predominância absoluta de uma única uva, as correções decorrentes de acidentes ou imperfeições na safra são bem limitadas, o que, certamente, fará com que estas características estejam presentes no produto final.
Não é minha intenção aqui dizer se um é melhor que o outro ou não. Cada um tem suas qualidades e defeitos. Tanto existem varietais de excelente qualidade como também existem os medíocres. O mesmo pode ser dito dos assemblages.
Para aqueles que se iniciam no estudo dos vinhos, acho que os vinhos varietais são mais didáticos, principalmente para aprendizagem de aromas e sabores característicos das várias uvas disponíveis no mercado.
Gostaria que nossos colegas seguidores colocassem suas opniões a respeito do assunto.

Foram degustados cincos vinhos descritos a seguir:

Villa Francioni - Assemblage 2005

Vinho feito com um corte de cabernet sauvignon, merlot, babernet franc e malbec. Envelhecido 18 meses em barricas de carvalho francesas, o que dá a este vinho um aroma e sabor de carvalho bem marcante. Além do aroma de madeira, nota-se também café tabaco, tostados. Pouco aroma de frutas. É um vinho elegante porém sem muita opulência. Nota: 87 pts

Chateau Le Grand Verdus 2005 - Bordeaux
Corte de Merlot (60%), cabernet sauvignon (25%), cabernet franc (15%), com 12 meses de barrica. Nota-se um vinho um pouco mais equilibrado com a madeira mais equilibrada com os sabores de frutas vermelhas e baunilha. Também apresentou-se levemente mineral. Um bom corpo porém sem muita opulência. Nota: 88 pts

Carpe Diem Terra Roja 2004
Corte: Cabernet franc (30%), syrah(30%), cobernet sauvignon (15%) e merlot (17%). Apesar dos 24 meses de envelhecimento em barrica, a madeira está em perfeita harmonia na estrutura deste vinho. Encorpado, cam taninos presentes e macios, aromas de frutas negras, especiarias, café e tabaco se intragram numa elegância marcante. O teor de alcool mais elevado (14,5%) não chega a incomodar. Nota: 89 pts

Sigla II - 2006
Em sua segunda versão ( primeira foi em 2003 ), o vinho Sigla segue o seu caminho como projeto independente de quatro jovens enólogos, produzindo cerca de 9000 garrafas numeradas. Seu corte se compõe de Cabernet sauvignon, Cabernet franc, petit verdot e Syrah. Um vinho encorpado, "musculoso", de aromas fortes de especiarias, frutas vermelhas, eucalipto e tabaco. Um vinho apaixonante! Nota: 90 pts

Antiyal 2006
Rotulado pelo próprio enólogo Alvaro Espinoza como um "vinho de garagem", com um carater artezanal bem marcante, este vinho biodinâmico envelhece 12 meses em barrica de carvalho. Apresenta um equilíbrio muito bom entre a madeira e os aromas de frutas, café, tostados e especiarias. Composto por carmenere (44%), cabernet franc (34%) e Syrah (22%). Na minha opinião peca somente no preço. Nota: 89 pts

Próximo encontro marcado na Casa do Porto em 23 de setembro com o tema: "O fabuloso mundo dos vinhos brancos", imperdível!!!!

sábado, 22 de agosto de 2009

Caipira tomando vinho.....!!!

-Hummm...
-Hummm...
-Eca!!! - Eca?!
-Quem falou eca?
-Fui eu, sô! O senhor num acha que esse vinho tá com um gostim estranho?
-Que é isso? Ele lembra frutas secas adamascadas, com leve toque de trufas brancas, revelando um retrogosto persistente, mas sutil, que enevoa as papilas de lembranças tropicais atávicas...
-Putaquepariu sô! E o senhor cheirou isso tudo aí no copo?
-Claro! Sou um enólogo laureado. E o senhor?
-Cebesta, eu não! Sou isso não senhor! Mas que isso aqui tá me cheirando iguarzinho à minha eguinha Gertrudes depois da chuva, lá isso tá!.
-Ai, que heresia! Valei-me São Mouton Rothschild!
-O senhor me desculpe, mas eu ví o senhor sacudindo o copo e enfiando o narigão lá dentro. O senhor tá gripado, é?
-Não, meu amigo, são tecnicas internacionais de degustação, entende? Caso queira, posso ser seu mestre na arte enológica. O senhor aprenderá como segurar a garrafa, sacar a rolha, escolher a taça, deitar o vinho e, então...
-E então moiá o biscoito, né? Tô fora, seu frutinha adamascada!
-O querido não entendeu. O que eu quero é introduzí-lo no...
-Mas num vai introduzi mais é nunca! Desafasta, coisa ruim!
-Calma! O senhor prescisa conhecer nosso grupo de degustação. Hoje, por exemplo, vamos apreciar uns franceses jovens...
-Hã-hã... Eu sabia que tinha francês nessa história lazarenta...
-O senhor poderia começar com um Beaujolais!
-Num beijo lê, nem beijo lá! Eu sô é home, safardana!
-Então, que tal um mais encorpado?
-Oiá lá, ocê tá brincano com fogo...
-Ou, então, um suave fresco!
-Seu moço, tome tento, que a minha mão já tá coçando de vontade de meter um tapa na sua cara desavergonhada!
-Já sei, iniciemos com um Brut, curto e duro. O senhor vai gostar!
-Não vô não fio de um cão! Mas num vô, mesmo! Num é questão de tamanho e firmeza, não, seu fiote de brabuleta. Meu negócio é outro, qui inté rima com brabuleta...
-Então vejamos, que tal um aveludado e escorregadio?
-E que tal uma mão no pé do ouvido, hein, seu fióte de belzebu?
-Pra que esse nervosismo todo? Ja sei, o senhor prefere um duro e macio, acertei?
-Eu é que vou acertá um tanpão nas suas venta, cão sarnento! Engulidô de rôia!
-Mole e redondo, com bouquet forte?
-Agora, ocê pulô o corguim! E é um... e é dois... e é treis! Num corre, não fiodaputa! Vorta aqui que eu te arrebento, sua bicha fedorenta!...

Monpelium - prosecco com Carpaccio


Sem querer, venho colocando neste blog alguns vinhos que eu considero "Bom e Barato". Este certamente é mais um exemplar desta categoria.
Um espumante italiano, rosê, extra dry, produzido com 75% de uva prosecco e 25% de Cabernet Sauvignon. Experimentei-o na Casa do Porto ontem e achei que "vale o quanto pesa".
Preço: R$49,00. A associação com a Cabernet Sauvignon deu um corpo muito interessante a este vinho. Aromas de maçã e cereja são bem evidentes. Peca um pouco na perlagem que não é muito intensa. Nota: 88pts.
Teve uma harmonização bastante interessante cuja receita eu fiz questão de anotar para divulgar neste blog. Eu gosto muito de Carpaccio. Na minha opinião, acho que o tempero do Carpaccio deve ser bem simples, sem exageros, se não, fica uma quantidade enorme de sabores que se misturam e faz uma verdadeira "massaroca"... rsrsrs.

A receita do tempero do carpaccio da Casa do Porto é a seguinte:

Salsinha
Alcaparras
Azeite de boa qualidade extra virgem
Queijo grana padano ralado

Massere tudo (menos o queijo) em um pilão ou bata levemente num liquidificador. No caso do liquidificador deve-se ter cuidado para não bater em exagero para não virar maionese. O ideal mesmo é um pilão.
Coloque o Carpaccio em um prato espalhe o molho por cima em toda a sua extenção. Polvilhe queijo grana padano ralado por cima do molho.
Pronto. Coma com um pão de boa qualidade acompanhado deste Prosecco.
É muito bom!!!!!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Torrontés - O perfume dos Andes


De origem espanhola (Galiza) esta cepa vem encantando aos mais exigentes paladares e apreciadores de vinhos.
Hoje ela é cultivada quase que exclusivamente na Argentina sendo, juntamente com a Malbec, uma uva emblemática deste país. A principal região produtora se localiza em Salta, aos pés da cordilheira dos Andes.
De excelente custo/benefício, os vinhos da uva torrontés têm um aroma que encanta e refletem intensamente o frescor das geleiras andinas.
Os toques florais chegam a perfumar o ambiente e evidenciam o caráter frutado deste vinho, com pouca, ou nenhuma madeira associada. Sua coloração vai do palha brilhante ao dourado e sua acidêz é bastante equilibrada.
São vinhos para se beber jovens com pouquíssima capacidade de guarda. Harmonizam muito bem peixes, saladas, frutos do mar, comidas orientais e Fondue de queijo. Sempre servidos a uma temperatura entre 8 e 10°c.
Dois excelentes produtores desta casta são: Bodega Colomé (cujas videiras se localizam entre 2200 e 3000 metros de altitude) e Luigi Bosca (La Linda) cujos preços giram em torno de R$45,00 a garrafa.